O reconheciam por sua amabiliadade.
Disseram que ele era conciliador.
Sabia que o era.
Se coloca dessa forma como escudo contra problemas banais.
As pessoas gostam disso, perder tempo resmungando sobre coisas banais.
Não poderia passar a vida toda a evitar problemas entre os outros.
Começava a criar os seus próprios.
Entre suas falas engraçadas e despretenciosas, seu olhar atento analisava as situações.
Tentava perceber em cada um a receptividade do que falava.
Acham que suas falas o impedem de ser atencioso e sério.
Seriedade não impõe tão somente uma forma de se portar.
Uma pessoa que busca viver uma vida de correição também está se portando de forma séria para a sociedade.
A bondade esconde a maldade.
A suposta maldade desconsidera o arrempedimento.
Algo precisa ser falado também.
O injusto precisa ser desclassificado.
Classificava o que de melhor podiam lhe proporcionar.
Queria deixar de lado o alheio e ficar somente com o seu.
O problema é que os "seus" fazem parte do seu "eu".
Voltava ao início da pergunta.
O que fazer?
Pensava em respostas para as atitudes alheias.
Muitos não desprendem tempo com isso.
Preocupam-se com suas próprias e "dignas" razões.
Continue a conciliar.
Quem não pode ser melhor, não devia atrapalhar quem pode sê-lo.
Reflita.
Onde a sutileza das entrelinhas esconde sob si idéias sensatas e insensatas. Lugar de idéias convexas que se unem para tentar externar o clamor de sentimentos congruentes.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
sábado, 15 de novembro de 2008
Leia
O que está escrito não será mais apagado.Pode até não ser lembrado.
Mas está escrito.
Escreveu para ser lido.
Talvez por ele mesmo.
Ou para os outros, quem sabe.
Tudo depende do dia.
De como está se sentindo.
De como irá sentir-se depois.
Cada um compreende da forma que pode.
Ou que quer.
Ele poderia escrever algo profundo sobre a sua compreensão da vida.
Poderia escrever sobre nada.
O profundo poderá parecer superficial.
E o nada, epifânico.
Nunca disse ser tudo.
Nem nada.
Há momentos em que tudo merece ser lembrado.
Porém acaba sendo esquecido.
Há momentos em que algumas lembranças merecem ser esquecidas.
E serão sempre lembradas.
Algumas pessoas escrevem a vida com canetas coloridas.
Outras com canetas sem tinta.
Muitos escritos são guardados por tempos e tempos.
Outros jogados foram logo depois de escritos.
Será que vale a pena escrever o que não se quer lembrar?
Será que é justo eternizar somente o memorável?
Não se pode escrever sobre tudo.
Viveria-se para escrever.
Sendo assim, não sobraria tempo para viver.
Espera-se que as leituras o ajudem.
Pensa que as leituras abrem as portas da imaginação.
Mas que por favor, não tire os pés do chão.
A realidade as vezes pode ser cruel.
E boa demais também.
O real pode parecer irreal.
Mas não faça do irreal, real.
O que está escrito, pensa ele.
Só quer ser lido.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
New winds
Antes de qualquer descrédito, ele tentava perseverar.O "adiante" parecia longe demais, porém alcançável.
Essa mistura de poder e não poder é algo que recheia a cabeça de qualquer ser humano.
Há dias em que tudo se pode.
Dias em que nada se acredita.
Sentir-se único faz bem pro ego.
Não há ninguém igual.
E espera-se que ninguém fique sozinho.
Não adianta ser o que se quer ser.
Caminhar só, é importante.
Reflexivo.
Mas que não seja intensivo.
Repetitivo.
Que não dure muito.
Melhor não ficar só.
A luz pode estar mais longe do que o usual.
Realmente há dias em que ela está mesmo.
Desde que passou a perserverar o céu ficou mais azul.
O sol mais agradável.
A saudade mais amiga e menos carrasca.
Cada passo dado foi comemorado.
E ainda deverá comemorar mais.
Lembrava-se do antes.
De algumas qualidades do antes.
E que hoje são importantes.
Estavam guardadas, escondidas pelo desuso.
Voltaria ao passado para buscar isso.
Só para buscar.
Porque o hoje o espera.
E prospera.
Não só ele.
A todos.
Porque sabe que não está só.
Irão juntos.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Amigos
Sentia-se longe de pessoas que fazem parte dele.
Sente-se um tipo autônomo dependente.
Procura resolver seus problemas rotineiros sozinho.
Mas a saudade quando aperta, faz seu coração ficar pequeno.
Fica a viajar pelas lembranças dos que estão longe.
Ele está longe de sua origem.
Sente-se um cidadão do mundo.
Querendo sempre conhecer mais lugares.
No distante, encontrou pessoas de longe também.
Pessoas que nunca cruzariam seu caminho.
E que agora o ajudam a seguí-lo.
Mudar o tornou mais independente.
Mais astuto.
Mais amável.
Mais cruel.
Lembrava dos momentos de alegria.
Onde podia rir com os seus amigos.
Lembrou dos desabores que passou juntos a eles.
Eles estavam sempre próximos para ajudá-lo.
Ele procurava estar sempre próximo para ajudar.
Lembrava dos amigos que havia deixado em sua terra.
Daqueles que mesmo sem laços sanguíneos haviam se tornado a sua família.
Gostaria de celebrar cada um deles.
Pois todos foram, e ainda são importantes.
Possui amigos que nunca viu.
Olhava para o céu e agradecia por cada amizade.
Ele realmente havia sido abençoado.
Cada amizade acrescentava algo de especial ao seu ser.
Essas pessoas tão especiais o faziam ficar mais perto de sí.
Que continue sendo assim.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Adeus
Da janela de seu quarto podia avistar uma grande nuvem.A chuva parecia ser um prenúncio de momentos reflexivos.
Decidiu sair de casa.
Sentir essa chuva de perto.
Andava de cabeça baixa e podia ver diante de seus olhos a correria das pessoas.
Enquanto uns fogem, outros vão ao encontro de alguém ou de algo.
A expressão impaciente das pessoas o fazia querer aproximar-se.
Falar-lhes que hoje elas poderiam se libertar.
Do que quisessem.
Poderiam deixar as preocupações de lado ao parar de questionar.
Ele havia decidido enfrentar por não mais querer perder tempo.
Os primeiros pingos caíam gelados e tímidos.
Olhou pra cima e pode contemplar milhões de pingos em diferentes posições caindo ao encontro da terra.
Era um lindo balé, onde nenhum dos participantes errava.
Nenhum toque.
Nenhuma discussão.
A harmonia da natureza acabara por sensibilizá-lo.
Era a hora do adeus.
Hora de dizer adeus a atrasos.
A desencontros.
Andando pela rua, percebia que olhares o perseguiam.
Sentia que lhe questionavam por andar na chuva, como se nada estivesse acontecendo.
Seu olhar buscava pessoas que fugiam da chuva ao tentar se abrigar onde pudessem.
Realmente seria a hora do adeus.
Da última saudação ao que lhe preocupava naquele dia.
De si mesmo.
Queria mais razões.
Suas escolhas erguiam paredes de dúvidas.
Escolhas sem razão.
Muito do que aconteceu não foi desejado.
Queria coisas que não acontecem.
Sonhava.
Vivia sonhando.
Como se andar na chuva resolvesse tudo.
Sentia-se melhor.
Dessa forma, havia resolvido algo.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Ser
Ele estava pensando nisso.
Ia mais longe ao pensar em quem seria hoje.
De contador a assassino.
De santo a pervertido.
De tudo um pouco.
De algumas coisas muito.
Não importa o que ele quisesse ser.
Depende apenas de como ser.
Ele é melhor do que imaginam.
E bem pior também.
Veio santo.
Tornaram-no perigoso.
Muitas feridas se fecham.
Novas se abrem.
Tudo esta relacionado a uma nova perspectiva que amanhã será velha.
Tudo mudou.
O passado bate a porta.
A porta está fechada.
Não se importa mais com quem passou.
Só com quem ficou.
Havia passado por pessoas que realmente não mereciam sua atenção.
Não precisa ser atencioso dessa forma.
Nem mais será.
Ele ri de todos por parecerem iguais.
Não mais seria comum.
Nem conseguiria.
Apreciar o comum é diferente de ser.
Algo mudou pra sempre.
Agora não venha reclamar.
Não tem mais volta.
Nem queria que tivesse.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Diga o que quiser
Ele a viu passar e não imaginava que ela seria sua "mudança".Muitas coisas mudaram desde então.
Muitos conceitos mudaram.
Tornara-se observador desse mundo de uma forma crítica.
Observava as pessoas e se sentia distante do mundo em que a maioria vivia.
Antes de tudo acontecer ele vivia como as outras pessoas vivem.
Agora vive entre questões freudianas e o planejamento de algumas vidas.
Todos os dias pareciam iguais.
Uma de suas vidas pedia socorro.
A outra, calma e quietude.
Uma queria partir.
A outra queria ficar.
Ambas deveriam ter partido.
Uma delas não quer mais mudar.
E certo que algo deveria mudar em ambas.
Ambas deveriam parar de brigar.
Deveriam se entender.
A falta dela mexia com sua harmonia.
Sabia exatamente o que lhe deixava transtornado e letargico.
Não podia depender das pessoas dessa forma.
Às pessoas, daria sua alegria.
E não seu descompasso.
Sonhava com coisas descompassadas.
Dizia-se descompassos.
Todas as mudanças serão difíceis.
Mas será suportável.
Diziam-lhe para ser mais altivo.
Deveria perdir mais perdões.
Deveria afirmar mais suas colocações.
Deveria não mais dizer "acho".
Deveria "pensar que".
Pensava demais em agir.
Planejaria tudo pela última vez.
Não podia mais deixar o tempo passar.
Seus crimes já haviam sido descobertos.
Já fora condenado e solto.
Essa apatia diária era uma forma de prisão.
Libertar-se-ia dessa tortura.
Seria sua próxima missão.
Já é.
Tomem cuidado.
O melhor ainda está por vir.
Já está vindo...
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