terça-feira, 24 de março de 2009

Blue Moon

A noite, olhando para o céu escuro, ele sentia-se em paz.
Quase não era incomodado por som algum.
Notou que esses momentos eram somente seus.
Eram momentos de uma solidão escolhida.
De uma solidão revigorante.
Descançava a mente.
Descançavam seus sonhos.
Achava que tudo ia dar certo no final de seus pensamentos.
Irá dar certo.
Ali sentado, se aprofundava em seus pensamentos mais banais.
Analisava o seu dia.
O que poderia ter dito, ou o que deveria ter sido sufocado.
Lembrava das pessoas que fazem parte de seus sonhos.
Daquelas que fazem parte da sua vida.
Sentia-se longe da sua vida.
Sentia-se perto do seu eu.
Não pretende viver isolado.
Se afastou de muitas coisas.
De coisas ruins e outras boas.
Consequências de suas escolhas.
Sentia uma brisa leve batendo levemente em seu rosto.
Provocava sentimentos de saudade.
Parte de sua vida era feita de lembranças.
Como de costume, sente que é formado por partes completamente diferentes que convergem na formação do seu "eu".
Era engraçado pensar no que se transformou, e no que ainda pode se transformar.
Vive de mudanças e querendo sempre mudar um pouco mais.
Se pudesse levaria tudo consigo.
Não pode e nem deve carregar todo esse peso.
Mas como tudo na sua vida se transforma, sabe que muito está por vir, e terá por consequência, muito mais do que recordar.
Que continue mudando.
Que continue a se recordar.
Que continue a se desafiar a cada dia.
Tomara que nunca acabe.
E que continue sendo bom.
Que continue sendo como sempre o é.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Venham

Esses dia chuvosos são um belo convite a uma permanência maior deitado.
Sentia uma preguiça tremenda em ter que levantar e enfrentar o dia que se inicia.
Dias chuvosos o fazem rememorar dos momentos agradáveis que passara em sua casa.
Realmente o novo é um grande estímulo.
Mas algumas boas lembranças tornam seu passado inesquecívelmente terno.
Diante das obrigações levantava sem pestanejar, mesmo com seu corpo pedindo clemência por mais alguns momentos deitado.
A vida de hoje não permite que a preguiça seja dona do seu tempo.
Suas obrigações tornaram-no mais inquieto do que o normal.
Hoje não se permite a pensar apenas em suas obrigações.
Dispensa mais tempo a conferir as obrigações alheias do que as suas.
Ritos de um novo tempo.
Isso se tornara uma de suas obrigações.
Pensar no coletivo é algo nobre.
Realizar suas obrigações também o é.
Pensa que muitas pessoas deveriam mesmo realizar com mais atenção as suas.
Gosta de observar as condutas alheias e convenientemente assimilar o que lhe parece de bom grado.
Muitos o subjulgaram por achar que não possuia um olhar mais crítico sobre suas obrigações, quiçá analisar as obrigações alheias.
Surpreender é um grande trunfo.
Sabe disso e sempre que possível faz o impossível para a surpresa de todos.
Como ouvira desde criança: "besta é quem pensa que ele é besta!".
Que venha mais um novo dia com muitas surpresas!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Ritos

Solenemente esta semana foi escolhida para dar asas a sua imaginação pouco inspirada.
Passava a analisar sua inspiração, e chegava a conclusão que ela estava calma, sonolenta e despreparada.
Começou a sentir falta daqueles momentos epifânicos que mudavam sua vida de uma hora para outra.
Daqueles momentos que o faziam sentir-se mais vivo.
Daqueles cujo amor próprio é mais forte.
Daqueles onde o amor pela sua vida é mais presente.
Vive ritos solenes de uma rotina cansada.
Excitante pela sua natureza operacional, porém desestimulante pela sua natureza intelectual.
Gostava de sentir-se naqueles dias em que acha que pode salvar o mundo.
Em que pode se salvar de sí mesmo.
Celebraria os amados amigos.
Os de ontem e os de hoje.
Pensaria neles.
Seria uma forma de achar a sí mesmo.
Comparar-se consigo mesmo.
O de antes.
O de hoje.
Grandes conquistas desejadas e realizadas, deveriam ser o estimulo de uma nova vida.
Não a rota para velhos caminhos.
Sabe que havia andado no caminho do novo.
Não queria desistir do mesmo e se desviar ao antigo caminho do marasmo pessoal e intelectual.
Não pensa em ser um grande filósofo ou estudioso do mundo.
Apenas não deseja ser desinteressante para sí mesmo.
Esses dias repetitivos o fazem sentir-se como uma máquina.
Sem vida e sem vontades.
Não consegue reconhecer seu próprio "eu" no meio dessa rotina.
Sente-se desesperado por uma mudança.
De uma mudança que depende apenas de sua vontade.
Acordou hoje sentindo-se fora do tempo.
Do tempo normal a ser seguido.
Como se vivesse em um sonho contínuo.
Não conseguia reunir forças para enfrentar a realidade.
Agora sim, face a face com o desgosto pessoal decide por não mais apenas resistir.
Iria enfrentar.
Iria desafiar-se.
Iria apenas viver.
Denovo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Desafio

De repente sua vida havia mudado.
Rotinas quebradas e outras impostas.
Havia voltado ao passado com ares de um futuro promissor.
Novamente percebia que antigos problemas haviam retornado.
É o preço de uma nova escolha.
De uma escolha antes vivida.
Antes maculada.
Antes abusada.
Agora via-se a cumprir antigos ritos.
Ritos de uma passagem difícil, porém desafiadora.
Era o que lhe conduzia nessa nova empreitada.
O desafio.
Desafiava-se todos os dias.
O desafiavam todos os dias.
O prazer da conquista misturado com o cansaço da execução.
Esperavam muito dele.
Esperava muito de si mesmo.
Sentia-se longe de si grande parte do seu tempo.
Seu tempo não era mais compatível com o das outras pessoas.
Distanciava-se.
Mas não deixava de amá-las.
Nunca iria deixar.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Pense nisso

O reconheciam por sua amabiliadade.
Disseram que ele era conciliador.
Sabia que o era.
Se coloca dessa forma como escudo contra problemas banais.
As pessoas gostam disso, perder tempo resmungando sobre coisas banais.
Não poderia passar a vida toda a evitar problemas entre os outros.
Começava a criar os seus próprios.
Entre suas falas engraçadas e despretenciosas, seu olhar atento analisava as situações.
Tentava perceber em cada um a receptividade do que falava.
Acham que suas falas o impedem de ser atencioso e sério.
Seriedade não impõe tão somente uma forma de se portar.
Uma pessoa que busca viver uma vida de correição também está se portando de forma séria para a sociedade.
A bondade esconde a maldade.
A suposta maldade desconsidera o arrempedimento.
Algo precisa ser falado também.
O injusto precisa ser desclassificado.
Classificava o que de melhor podiam lhe proporcionar.
Queria deixar de lado o alheio e ficar somente com o seu.
O problema é que os "seus" fazem parte do seu "eu".
Voltava ao início da pergunta.
O que fazer?
Pensava em respostas para as atitudes alheias.
Muitos não desprendem tempo com isso.
Preocupam-se com suas próprias e "dignas" razões.
Continue a conciliar.
Quem não pode ser melhor, não devia atrapalhar quem pode sê-lo.
Reflita.

sábado, 15 de novembro de 2008

Leia

O que está escrito não será mais apagado.
Pode até não ser lembrado.
Mas está escrito.
Escreveu para ser lido.
Talvez por ele mesmo.
Ou para os outros, quem sabe.
Tudo depende do dia.
De como está se sentindo.
De como irá sentir-se depois.
Cada um compreende da forma que pode.
Ou que quer.
Ele poderia escrever algo profundo sobre a sua compreensão da vida.
Poderia escrever sobre nada.
O profundo poderá parecer superficial.
E o nada, epifânico.
Nunca disse ser tudo.
Nem nada.
Há momentos em que tudo merece ser lembrado.
Porém acaba sendo esquecido.
Há momentos em que algumas lembranças merecem ser esquecidas.
E serão sempre lembradas.
Algumas pessoas escrevem a vida com canetas coloridas.
Outras com canetas sem tinta.
Muitos escritos são guardados por tempos e tempos.
Outros jogados foram logo depois de escritos.
Será que vale a pena escrever o que não se quer lembrar?
Será que é justo eternizar somente o memorável?
Não se pode escrever sobre tudo.
Viveria-se para escrever.
Sendo assim, não sobraria tempo para viver.
Espera-se que as leituras o ajudem.
Pensa que as leituras abrem as portas da imaginação.
Mas que por favor, não tire os pés do chão.
A realidade as vezes pode ser cruel.
E boa demais também.
O real pode parecer irreal.
Mas não faça do irreal, real.
O que está escrito, pensa ele.
Só quer ser lido.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

New winds

Antes de qualquer descrédito, ele tentava perseverar.
O "adiante" parecia longe demais, porém alcançável.
Essa mistura de poder e não poder é algo que recheia a cabeça de qualquer ser humano.
Há dias em que tudo se pode.
Dias em que nada se acredita.
Sentir-se único faz bem pro ego.
Não há ninguém igual.
E espera-se que ninguém fique sozinho.
Não adianta ser o que se quer ser.
Caminhar só, é importante.
Reflexivo.
Mas que não seja intensivo.
Repetitivo.
Que não dure muito.
Melhor não ficar só.
A luz pode estar mais longe do que o usual.
Realmente há dias em que ela está mesmo.
Desde que passou a perserverar o céu ficou mais azul.
O sol mais agradável.
A saudade mais amiga e menos carrasca.
Cada passo dado foi comemorado.
E ainda deverá comemorar mais.
Lembrava-se do antes.
De algumas qualidades do antes.
E que hoje são importantes.
Estavam guardadas, escondidas pelo desuso.
Voltaria ao passado para buscar isso.
Só para buscar.
Porque o hoje o espera.
E prospera.
Não só ele.
A todos.
Porque sabe que não está só.
Irão juntos.

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